A era da informação está na berra, por todo lado, e força-nos a um estado de alerta ininterrupto, por um lado, e a um frenesim emocional constante, por outro, sem que uma ou outra característica, ora enunciadas, sejam de salutar.
Com esta infalível certeza, alguns espíritos romantizados pela concepção de uma vida tranquila, sem grandes percalços, morre, ao mesmo ritmo que falecem os elementos naturais, assassinados pela ânsia humana de consumismo exacerbado, e enfim… cá estou eu novamente, com o meu espírito obsoleto de ideais já há muito ultrapassados, é utopia eu bem sei.
Não me levem a mal, peço-vos. Digamos que sou do tempo em que o berlinde estava na moda, ou que o pião rodava no alcatrão colorido pelas pinturas de jovens parcos em soluções tecnológicas – não existiam – entendam a melancolia, é que sou do tempo em que deambulávamos pela rua com amigos moralizados pelo entretenimento que nascia da simples companhia, em que frutificávamos as relações com real interacção humana, desconhecedores que a via futura – seria a virtual. Na verdade, a bicicleta era a nossa “consola da aventura”, duravam uma eternidade, reparada vezes e vezes sem conta: ali apertava-se os cabos do travão, acolá uma «oleadela» na corrente e quando necessário uns reparos nas de câmaras-de-ar colocadas prodigiosamente na banheira dos pais. Como não poderia deixar de o ser, incontornavelmente, as investidas pelo sexo airoso oposto, eram feitas pela via oral e física, num “olá” tímido, num olhar fixo propositado para revelar presença, e diga-se que, das erradas aproximações sempre se vai aprendendo, ora, em frente a um ecrã a comentar uma foto alheia não se vê a inocência a corar, bem sei, que assim foi, e já não será. Reparem, parece uma depreciação e resvalo claramente para proposições de “velho do Restelo”, porquanto peço-vos encarecidamente, vejam-na antes como uma mera consideração, até porque, a leitura que agora vos chega, chega-vos pela via da Internet, de um blog. Atentemos por breves momentos ao seu real significado: “Página web com informações (geralmente inúteis) sobre o quotidiano de algo ou alguém.”, não meus caros, não é impressão, o termo “inútil” está presente, sendo uma definição como outra qualquer, donde resulta que esta partilha possa, consoante a apreciação, ser inútil.Eram tempos, e recordar os tempos, há quem diga: é compreender o futuro, lamentavelmente esta conjectura de verdade, deixou de fazer sentido. Presentemente, com a celeridade estonteante da vida, é impossível sequer prever o dia seguinte, no entanto, e como todos nós temos o nosso grau de persistência, vamos rememorar, façamo-lo apenas porque nos faz bem.
Já afirmei que sou do tempo, pelo que, permitam-me a insistência,
Como inveterado surfista, eu e os meus grandes amigos (sempre maiores do que eu) recorríamos à simples visão do Bugio para prever como estaria o mar, resultado dessa apreciação cuidada à vista humana, logo saberíamos para onde nos dirigir, desconheciamos o que era o windguru; beachcam, oceanlook, surftotal (sem prejuízo de hoje serem essenciais) e por aí fora, e as opções ”à porta”, na época, consoante os trocos, seriam a Costa da Caparica e/ou Carcavelos, sim porque eu sou do tempo da música dos Despe e Siga:
“Aqui vou eu para a Costa
Aqui vou eu cheio de pica
De Lisboa vou fugir
Vou pró Sol da Caparica”
Aposto que já vos pus a cantar. Prossigamos,
Vejam que estas linhas se escrevem sem acordo ortográfico, assinaram algum? pois bem, eu não, e se do latim nasceu o português (pelo menos era o que dizia a História da Língua Portuguesa, ou será Estória? cuidado com a moda), e da nossa língua materna tantas outras se formaram… pergunto-me então, se o que aprendi nos meus tempos de escola deixaram de possuir alicerce, donde resulta a indagação legitima: este texto é ótimo ou óptimo? talvez seja mais simples, por força destas modernices dizer: não vale é nada, assim estamos todos de acordo, nem sempre se escreve como se lê, não era assim? A qualquer momento, estou à espera de uma portaria do governo em que estatuirá que o meu nome passará a escrever-se: UGO, neste coopto será só uma questão de conjuntura económica, é que poupa-se na tinta!Hugo da Silva Tavares
Adoro esta banda:


28 comentários:
ahaha Tá lindo!
Espetacular este texto!
abraço
Nuno
linda hihhi
Só discordo ao dizeres que nada vale! é exactamente o oposto, adorei as ironias!!
Bjo
Vânia
Já não era sem tempo uma nova crónica.. Mas esta sem dúvida que além de me ter posto a cantar fez-me rir muito!!
Parabéns pela nova crónica que está sem dúvida espectacular,mas de uma coisa podes estar certo, não estamos de acordo quanto quanto ao texto não valer nada, porque ele não está só óptimo tá perfeito!!
Beijinhos UGO sem H :))
PRFST
Linda ahahahahhaha, tá linda já tou a cantar ahaha
BJunfas
Nádia
The Man is BACK!
Excelente este teu regresso sarcástico - volta sempre eou melhor, não vás ;)
Adoro!
Bjinhos *****
Rute
mto bom!
Adorável crónica!
Boas,
Chega um gajo ao Trabalho e lê esta preciosidade, canta, revolta-se com o estado actual e ri-se que nem um perdido, que mais se pode exigir.
Parabéns
André
Puto,
U M A P É R O L A |
ABRAÇÂO
Piri
Huguito tu estás lá e como sempre agradas qualquer um com as tuas crónicas.
Mas esta... Esta está qualquer coisa de fascinante.
Beijitos ó grande ^_^
Ângela Ferreira
Carissimo chegar ao trabalho e ler um texto destes anima a alma e enche-nos de força para começar o dia. Só tenho a dizer : não pares de escrever.
Abraços
Zé
Huguito esta crónica está alguma coisa de fantástica. Ri,cantei e no fim afirmo que este texto está OPTIMO!!!!!
Obrigado por este bocado bem passado :p
Beijitos
Inês
Fantástica, linda, arrebatadora!
voltasteeeeeeeeeeeeeeeee
E que regresso.
Bjos
Carla
Adorei a crónica!! Fizeste-me rir e cantar....só mesmo tu para nos transmitires estas emoções!!!
Beijinho
Teresa
Ahh
Tinha Saudades, muitas desta escrita fantástica, Adoro, simplesmente Adoro!
Uma Beijola * * Catarina
"donde resulta a indagação legitima: este texto é ótimo ou óptimo? talvez seja mais simples, por força destas modernices dizer: não vale é nada, assim estamos todos de acordo, nem sempre se escreve como se lê, não era assim? A qualquer momento, estou à espera de uma portaria do governo em que estatuirá que o meu nome passará a escrever-se: UGO, neste coopto será só uma questão de conjuntura económica, é que poupa-se na tinta!"
ahaha este "Remate" final está lindo!
Ana
;)))
Parabéns Hugo, eu ao contrário dos outros, venho aqui ao teu espaço pela primeira vez. Adorei a crónica, sobretudo esse tom, muito irónico e muito próprio de uma certa vivência... Eu também sou do tempo do Berlinde e do Pião!
Abraço, irei passando e comentando.
Parabens
O Escritor.
Na sua faceta mais ligeira a dar um ar de Verão, de facto, talento é inato. Estás muito "lá"
Um abraço
André
Fantástica
A ironia está fantástica!
Beijinhos
Rita
SUPERB estas crónicas.
Mais, quermos muito mais!
Bjua :)
Cláudia
FUCK YEAH!
AWeSOME
Camarada encontro-me de férias no sul do país e esta crónica caiu-me mesmo bem. Parabéns surfista e espero que não nos deixes tanto tempo sem crónicas novas.
Luís Carlos
Huguinho
Vicie-me nas crónicas, depois no livro "herança do mar", não muito depois: "Line Up", é caso para dizer que a tua escrita é viciante, apela ao sentimento, à reflexão (quem não leu a teoria da tartaruga?), superb!
Surfista sempre a dar-lhe e bem as always!!!!!!!!!!!!
Só não devias deixar os teus leitores tanto tempo sem crónicas.
Abraços.
Mike Guerreiro
Seja para quem faz surf, ou simplesmente para quem gosta de boa escrita e boa música - este blog é a referência!
Bjinhos
Sandra
Acabo de chegar de umas férias fantásticas sento-me ao computador e deparo-me com esta brilhante crónica. É caso para se dizer que estas férias foram aproveitadas da melhor forma até às 21:17. Fantástico surfer.Muito embora tenha de te pedir insistindo que continues a proporcionar-nos o enorme prazer de te ler.
Abraços e boas férias se for esse o caso. Se não for como é o meu epah publica mais crónicas para ver se o tempo passa mais rápido hahaha.
Paulo Lopes
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