Sentadinho de pernocas esticadas.
Aproximo o copo, e oiço o harmonioso timbre do gelo a embater no cristal, embebido no líquido amarelado, e num acto contínuo recosto-me no sofá escolhendo a leitura.
À minha frente encontra-se um banco para os pés, que por esta altura dou o uso devido; à minha esquerda a mesa de apoio que guarda com afabilidade as fotos emolduradas da família em diversos momentos, presentemente acompanhadas da garrafa que me foi oferecida e que conto ir bebericando, à medida das ocasiões e porventura da companhia.
Reflicto prontamente, e porque o tempo assim o permite, que invulgarmente se vêem os momentos intricados da vida das pessoas num álbum ou numa foto, não obstante, são esses mesmos dias que nos fazem ir de um momento fotográfico para o outro. São páginas que compreendem a imaginação e o relato de alguém e preferir um ao outro, depende da circunstância, do estado de espírito. Atendendo que o bem-estar é muito, opto pela incerteza do conteúdo do livro: “As coisas belas que o céu encerra”. Não atemoriza pelo seu volume, pelo que é possível que não seja um típico best-seller, inteirando-me que hoje, mais do que nunca, o número de páginas é frequentemente associado a qualidade – é uma inverdade (inovação linguística que pressupõe aligeirar o termo: mentira, permitam-me que a empregue) fomentada pelo fervoroso marketing comercial.
Antes da primeira página um gole mais no “meu” whisky predilecto.
A quadra festiva, no meu particular caso, usualmente assinala três situações incontornáveis na vida adulta que registo com maior apreço:
- Surfar com mais frequência;
- Novas leituras;
- Estar com a família.
Dirão, com erudição que, com a crise interminavelmente anunciada e por conseguinte promovida pelos media, o tempo das pontes e férias já debelou, assim como alguns direitos adquiridos típicos do nosso estado social de direito, que paulatinamente e de algum modo – intencionalmente dissimulados – vão desaparecendo, concluindo, com razão, que o tempo para surfar é também menor, é uma constatação repleta de melancolia.
Ainda que existam actualmente mais pessoas formadas, o nível de ileteracia é perturbador. Os nossos caríssimos políticos sabem-no, como ninguém, e entendem qual a mensagem a ser veiculada. Mas adiante.
É de tal modo assim quanto á programação de leituras, que se estiver no término de um volume, faço o esforço (sem conotação negativa), de acabar de ler o livro antes da semana que dá inicio às festas santas. Preparando-me para novas incursões nas narrativas e/ou ficções de autores nacionais ou estrangeiros.
Abro a obra, eleita, e novas vidas me são oferecidas; reabasteço o copo. Que instante ímpar.
BOM ANO!!
Hugo da Silva Tavares

12 comentários:
ahaha!
Muito Bom
Um bom ANINHO PARA TI HUGUITO
Escreves cada vez melhor. O site Tá óptimo!
Bjinhos
Sandra Trindade
Os teus Textos são um MUST, é bom acordar para um novo ano e ler algo tão bem disposto e tão bem escrito.
Fantástico ano de 2012 ;)
**Bjufas**
Mónica
Um ano cheio de coisas BOAS e muita felicidade!!
Adorei o texto, mas isso é a regra!
Lindo.
Excelente som...
2012***
Bjinhos grandes
Soraia
Mais uma daquelas ehehe
Bem vindo a 2012 e logo em grande!
Bateu o Whisky? ehehe
Abraço
NUNO
escreves muitooo....
Como sempre bates qualquer um na tua escrita.
Feliz Ano Novo mano e um abraço grande.
O site está ótimo!!!!!!!!
Zé
Brutal mano.
Tas lá
Abraço
Opá... tanto tempo porque?
Adorei; amei cmo sempre... mas tanto tempo...
Vá escreve mais!
BJOS
DI
Muito bom ler os teus textos....adorei como sempre!
Bjinho
Fantástico! Lindo!
Ganda BLOG!!!
Espectacular! Boas surfadas!
Nuno
Linda,fantástica a tua escrita e as tuas crónicas são de chorar por mais!!
Só resta mesmo escreveres mais para não nos deixares tanto tempo sem estas tuas crónicas :))
Beijinhos
PRFST
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